Foi lá que passei várias tardes quando tinha uns 11/12 anos mais ou menos, foi lá que aprendi como é bom ler, que percebi o quanto aprendemos com um livro, que viajei nas mais emocionantes histórias de aventura, era como se eu estivesse lá, na cena, junto com os personagens, sentia que era vizinha dos Meninos da Rua Quinze, que conhecia a Pimpa que estava Sozinha no Mundo, e tantos outros personagens que marcaram minha infância e inicio da minha adolescência, passava o dia todo lendo, lia até tarde da noite, quando começava não conseguia parar de ler, era tão bom.
Mas ontem quando estava lendo um livro de crônicas e pequenas histórias na biblioteca (já tinha perdido a 1ª aula do técnico), uma menina chegou, pegou um livro na sessão de livros estrengeiros, exoterismo, livros que são mais díficeis, complexos, a menina tinha 13 anos, sentou na mesa, na minha frente, ela estava com Brida, de Paulo Coelho, folheou algumas páginas e começou a ler, parecia que não estava muito empolgada com a história, levantou e pegou outro livro, na mesma prateleira do outro, continuou sua leitura, ainda sem muito interesse, depois de um tempo eu perguntei se ela já tinha lido os livros da outra prateleira , a mesma que estavam meus antigos amigos do mundo das letras, aquelesque me levaram pra conhecer tantos lugares e me ensinaram a imaginar, ela disse que não de um jeito sem graça, sugeri que ela lesse Sozinha no Mundo, contei uma parte da história, ela sorriu, peguei o livro e entreguei a ela, os olhos da menina mostraram curiosidade e enteresse, começou a ler, sorrindo, três menininhos, de uns 8 anos, que estavam com ela, também gostaram da ideia e foram até a mesma estante, deixando de lado os gibis que folheavam e pegaram uns livros, me senti feliz por ter ajudado aquela menina.
Algum tempo depois tive que ir, tinha que entrar na próxima aula, peguei o livro que eu estava lendo, a bibliotecaria marcou no computador, dei um "tchau" com um sorriso para a menina, ela sorriu de volta, saí, estava feliz, como se tivesse sido útil para ela. Pensei nisso o resto do dia, me fez bem, espero que tenha feito bem pra ela também.
"Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que -no meu jeito de ver as coisas- é a troca da própreia vida: quanto mais eu buscava num livro, mais ele me dava"Lygia Bojunga Nunes
Ai, Fran, que lindo.
ResponderExcluiro meu preferido "daquela estante" é Matilda, muito, muito fofo, ela é uma menina Sozinha tbm, mas inteligentíssima e que ama ler. se vc não leu, leia.
Eu tbm tenho essa última frase no meu blog.
bjos♥
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