Chegou em casa por volta das 4 horas, voltava de uma festa, estava bonita, vestido, salto, maquiagem bem feita, cabelos e unhas arrumados, mas, apesar da pintura alegre, ela estava com os olhos tristes, a festa havia sido boa, mas nem tanto quanto ela esperava. Lá, dançou, riu, foi “feliz” por algumas horas, ou pelo menos, se fez feliz por algum tempo.
No caminho de volta para casa, não era possível enxergar muito adiante, neblina, uma madrugada vazia, sem alma, sem sentimentos, apenas mais uma madrugada de julho, fazia um pouco de frio e os vidros do carro estavam embaçados, ela desejava voltar à festa, permanecer naquele lugar feliz.
Em casa percebeu que o que tinha acontecido naquela noite não fazia parte de sua realidade, era uma fantasia, um momento de sonho, uma fuga do mundo real para o de contos de fadas, mesmo assim tinha sido uma noite agradável, apenas isso, agradável, lá estavam aqueles que eram considerados como amigos, uma ultima e verdadeira paixão, a qual, ela tinha a esperança de retomar naquela noite.
Quando entrou no quarto, logo se olhou no espelho, mas não se viu, percebeu que aquele reflexo não era o dela, nada daquilo fazia parte dela e sim o contrario, ela que fazia parte daquelas coisas, naquele quarto era só mais um “objeto de decoração”, as coisas não mudariam muito se não estivesse ali.
Quis chorar, gritar, mas nada disso fez.
Começou a desmanchar os cabelos, tirou as luvas, a coroa, as sandálias de salto fino, borrou a maquiagem, tirou o vestido de festa, pegou uma toalha. Queria lavar não apenas o rosto e o corpo, QUERIA LAVAR A ALMA. A água morna do chuveiro não estava adiantando, chorou, sentia uma angustia no peito, uma vontade inigualável de sumir, desaparecer, e não sabia o por que desse sentimento, no espelho viu que os olhos azuis, estavam tristes e borrados de preto. Secou-se, colocou uma camisola velha, deitou-se.
Pensou em tudo o que havia acontecido, nas lagrimas que caíram de seus olhos durante o banho, na festa bonita que esteve, na valsa que dançou e em como ele estava bonito, uma ultima lagrima escorreu. O barulho de um ônibus atravessou seu silencio, era o primeiro do dia.
Exausta, fechou os olhos e dormiu, talvez mais por desconsolo que por sono, queria estar nos braços daquele rapaz. Sentia a falta dele a cada instante, durante a música nada mais eram do que um casal de debutantes, acompanhantes, conversaram pouco, trocaram alguns sorrisos e mais nada aconteceu.

