Acabei de ler o que queria escrever, foram duas linhas apenas, sobre refugiar-se num blog que tem seguidores, aqui são poucos, não intimidam tanto, não me preocupa contar coisas, pensamentos e ideias minhas aqui, mesmo com a possibilidade de alguém ler, não ligo para isso, lendo ou não, escreverei o que me vier a mente.
Há tanto não escrevo, não leio, meu mundo na internet está resumido ao Facebook, ir a uma ou outra página através de um link no Facebook e só, fico até um tanto - completamente - perdida em relação a outras coisas, o enorme mundo que tenho acesso sumiu, perdi o caminho e a vontade de perguntar para encontrá-lo, percebi que isso está me atrapalhando, na faculdade, na vida, apesar de passar o maior tempo possível conectada, não sei o que há, não vi, não li, não soube nada além da mancheta dos artigos mais populares, no máximo.
Uma menininha, de uns 10 anos, perguntou-me por quê eu tenho tantos amigos no Facebook e se conheço/falo com todos eles, é, são muitos, mais de 1000. Não souber respondê-la. Dei uma desculpa como "é porque conheço muita gente de escola, comunidade, 'futuros contatos profissionais', você quando tiver minha idade também terá muuuitos amigos na rede social".
Não gostei disso, poxa, tenho tanta gente que nem lembro de onde é, talvez conheça só por estar marcado numa ou outra foto comigo, só. Chego quase meia-noite em casa e sempre vou pro computador, Facebook é a primeira página que abro, e assim também é na faculdade, como vou direto do trabalho, estou no laboratório quase 1h antes da aula, mesmo que tenha trabalho pra fazer, pesquisas e notícias pra ler, eu estou no Facebook.
Preciso dar um basta nisso, não posso ficar tão escrava de um site, mesmo que nele eu tenha acesso ao mundo e a milhares de amigos e ideias diferentes, poxa, que legal tudo isso, mas tudo que faço no Facebook posso fazer fora dele, e de maneira beeeem melhor, dedicação a uma atividade de cada vez é o que preciso, e estar conectada à rede que já citei tanto não está me ajudando.
Estou submissa à "conexão", preciso ver as dezenas de atualizações no meu perfil, torcer para que haja - mais uma - solicitação de amizade e mensagens inbox, preciso ver as publicações mais populares e as mais recentes, mesmo que eu não comente, curta ou compartilhe o que vi, mesmo que não veja o perfil dos meus amigos reais para saber como estão e mande uma mensagem, mesmo que eu saiba que determinada pessoa está online e que preciso falar com ela de maneira mais séria e mesmo assim não mandarei sequer um 'oi', mesmo que eu veja no calendário de eventos da semana os vários aniversariantes e não mande um mísero parabéns. É inútil essa minha necessidade de estar... estar... estar o quê mesmo?
Ora, se não estou com meus amigos, se não publico, se não sou sempre marcada nas fotos de lugares diferentes, minha necessidade dever ser de apenas ser mais um número, mais um cadastro que verá publicidade gratuita, que terá acesso e fará parte da maior rede social do mundo. Sou uma pessoa que acha estranho (no mínimo) não ter um perfil no Facebook e por isso continuará escrava de sua própria vontade.
São 2h36, preciso acordar às 7h, preciso dormir, escrever e ler, preciso de vida social e me dar limites.